domingo, 27 de janeiro de 2008

INFINITO DE PÉ É O NÚMERO 8


Sentia-se pequena outra vez. Um frio em cima do estômago. O coração levemente acelerado, e uma moleza permanente. Um nóziho sempre frouxo na garganta, pronto pra desatar se alguém afaga seus cabelos.
Queria ver outras coisas na frente. Queria ver a mãe e o pai dançando ou organizando uma festa. Queria estar descansada. E queria, e queria, e queria. Sentiu-se pequena outra vez.
Suas forças adormeceram e não sabia desde quando. Podia ser há um mês ou três. Ou seis. Dormiu pra acordá-las.
E quando o vusshh vusshh dos carros aumentou, se deu conta que estava no seu corpo outra vez. Abriu os olhos. A fresta da janela revelava um céu cinza alanrajado. O coração acelerou outra vez. Vestiu uma roupa leve e saiu pra caminhar. Calculou que talvez devesse dormir mais, mas aquela aurora lhe chamava como uma entidade acorda seus filhos. E como que pra saciar o coração saiu correndo sem querer saber de hora nenhuma.
Sentiu a vida no suor que escorria do seu corpo e refletia o sol que despontava subindo nas camas e esquentando os lençois. Solicitando.